sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

No DF, Expresso Sul chega à W3 Sul


06/12/2015 - DFTRANS

Os passageiros do Expresso Sul tem disponíveis três linhas com destino à W3 Sul. Cada uma parte de um dos três terminais do sistema: Santa Maria (2303/W3 Sul), Gama (2205/W3 Sul) e Park Way (2207/Park Way/W3 Sul). A medida é outro avanço na reorganização das linhas de ônibus em Brasília.

 A criação das rotas acarretou na substituição de cinco linhas regulares com destino à Avenida W3 Sul — duas do Gama (0.202 e 202.4) e três de Santa Maria (0.252, 252.6 e 0.272). Os veículos retirados desses itinerários serão transferidos para cobrir locais onde a necessidade é maior.

As mudanças no Expresso Sul se tornaram possíveis depois de um estudo iniciado em abril pelo Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans) e pela Pioneira, empresa que opera o sistema. A partir desta quarta-feira (18), equipes da autarquia distribuirão folhetos sobre as alterações.

W3 Norte

As linhas que atendem a W3 Norte também terão mudanças. Por muitas serem conjugadas — ou seja, atenderem as áreas norte e sul —, o número de viagens para a W3 Norte precisou ser ampliado. Em Santa Maria, na linha 252.1, a quantidade passou de 69 para 84. No Gama, na 217.2 e na 0.218, o acréscimo foi de 20 para 36 e de 32 para 36, respectivamente. Ainda foram acrescentados horários nas linhas alimentadoras que operam em cada região. No Gama, serão 489 viagens ao todo, em vez de 402. Em Santa Maria, 347 no lugar de 282.


Horário de pico

A partir de sábado, as outras linhas expressas do Gama (2201) e de Santa Maria (2301), com destino à Rodoviária do Plano Piloto, circularão somente em horário de pico — das 5 às 9 horas e das 15 às 20 horas. Nos períodos de menor movimento — das 9 às 15 horas e depois das 20 horas —, o atendimento será feito pelas linhas paradoras. Nesse caso, o acesso aos ônibus será na plataforma inferior da Rodoviária do Plano Piloto. Até então, expressas param na plataforma inferior, e paradoras, na superior.

Já passaram pelo processo de reorganização de rotas de ônibus Águas Claras, Ceilândia, Cruzeiro, Núcleo Bandeirante, Recanto das Emas, Riacho Fundo I e II, Samambaia, São Sebastião, Sudoeste e Taguatinga. A ideia é que todas as regiões administrativas tenham modificações para atender o sistema de transporte público previsto em licitação em 2011. "Essa mudança amplia a oferta de ônibus e reduz o tempo de viagem", pontua o diretor-geral do DFTrans, Léo Carlos Cruz. Do Gama ao fim da W3 Sul, por exemplo, o passageiro pode chegar a economizar 18 minutos.

Informações: DFTrans

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Pensado para melhorar o fluxo do trânsito na cidade, BRT se torna pesadelo

13/12/2015 - Correio Braziliense

Um dos legados deixados ao Distrito Federal pela Copa do Mundo de 2014 na área de mobilidade, o Expresso DF (BRT) está longe de ser o que prometiam os governos federal e distrital antes da inauguração da obra, em junho daquele ano. Alvo de uma enxurrada de críticas por parte de usuários, o sistema ainda é falho naquilo que propôs de melhor: a organização do trânsito. Estações na altura do Park Way estão obsoletas e depredadas. Além disso, confundem o passageiro, pois os ônibus não param no local. Como se não bastasse, a licitação para execução das obras e as intervenções no trecho de 42km — que mudou a paisagem entre o Plano Piloto, Santa Maria e Gama — são alvos de duas auditorias do Tribunal de Contas do DF (TCDF), que sugerem, entre outras questões, problemas de infraestrutura e de superfaturamento na aquisição de diversos itens.

Na semana passada, a reportagem do Correio percorreu alguns pontos de parada localizados no canteiro central da Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia), entre o Núcleo Bandeirante e o Park Way, e encontrou uma série de problemas. Das seis áreas de embarque imponentes, feitas de vigas e telhas metálicas, apenas uma funcionava. Ainda foram encontradas paredes de vidro quebradas e trincadas, cercas de ferro amassadas, grades pichadas. Nem mesmo as catracas foram poupadas. Em uma delas, os fios tinham sido arrancados. O custo médio de cada estação foi de R$ 2,2 milhões.

Na parada Vargem Bonita, ao meio-dia, 12 lâmpadas estavam acesas. Painéis de informação defeituosos tornavam difícil a tarefa de ler o itinerário. Vazamentos e lixo espalhado também faziam parte do cenário. Uma estação adiante, no sentido Santa Maria, o quadro se repetia. Nenhum funcionário cuidava do local e não havia vivalma aguardando o transporte. Somente na próxima estação, Granja do Ipê, um vigilante estava presente. O GDF argumenta que as estações na altura do Park Way ainda não estão aptas para receber passageiros, porque aguardam licitação para garantir a segurança e a limpeza dos espaços. Informação que o encarregado de obras Edcarlos de Barros, 35 anos, precisou descobrir sozinho. Na última terça-feira, ele esperava condução em uma das paradas de concreto na lateral da pista. "Nunca vi o BRT parar nessas paradas do meio. Um gasto totalmente desnecessário, tudo em vão”, reclamou.

O auxiliar de despachante Ellisson Barbosa Matos, 40 anos, engrossou o coro: "Os únicos ônibus que passam pela Epia fazem isso pelos antigos pontos. Se inventar de esperar nos do centro, por lá fico. Nem funcionário eles têm”, disse. Matos depende do transporte coletivo para ir ao trabalho. Para isso, precisa pegar três ônibus. Ele afirma que, antes das obras do BRT, pegava apenas uma condução e era mais rápido.

Insegurança

A dificuldade de transporte no local é tamanha que alguns passageiros relatam a presença de piratas. Um trabalhador do Park Way, que preferiu ter a identidade preservada, é testemunha ocular desse trânsito. "O movimento começa a partir das 17h. Quem se recusa a arriscar o transporte clandestino tem que aguardar um ônibus para o Entorno, pagar R$ 4,75 para chegar a algum ponto e, de lá, seguir para o destino final, algumas vezes, pagando ainda mais”, revelou.

Outra reclamação recorrente por parte dos passageiros é a diminuição no número de linhas que passam pela Epia. A empregada doméstica Aparecida de Sousa, 32 anos, conta que, após a mudança, a ida para casa ficou mais difícil. "A solução é esperar um coletivo para Santa Maria, mas nem todos os veículos estão parando, de tão lotados. Eu estou esperando há um tempo. Já passaram dois e não pararam”, criticou. Assim como Edcarlos, ela aguardava um coletivo em uma das paradas de ônibus na lateral da pista.

Desperdício

Não somente as paradas novas e velhas coexistem ao longo da Epia. O mesmo ocorre com duas passarelas, a poucos metros de distância uma da outra — foco da maior curiosidade por parte de quem passa pelo trecho. Uma segue moldes antigos e a outra, a atual padronização. Especialistas entrevistados pela reportagem afirmam que, em alguns casos, é possível reaproveitar antigas plataformas.

O diretor-técnico do Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans), Marcio Antonio de Jesus, explica que, embora as obras civis nas estações do Park Way tenham sido concluídas, operacionalmente o terminal não está à disposição. "Esse sistema foi licitado em 2011 e está sendo implantado. Temos que inaugurar mais algumas estações, instalar roletas, fazer os últimos ajustes. Estamos trabalhando para que isso seja colocado em funcionamento”, disse. Ele afirma que o órgão sabe dos problemas estruturais das estações, mas que isso ficará a cargo da empresa que executou a obra e não haverá gasto por parte do GDF. O Correio também entrou em contato com o governo federal para responder às críticas com relação ao BRT, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

"Os únicos ônibus que passam pela Epia fazem isso pelos antigos pontos. Se inventar de esperar nos do centro, por lá fico. Nem funcionário eles têm” - Ellisson Barbosa Matos, auxiliar de despachante

Transtornos

Além de mudar a paisagem, as obras para a construção do BRT causaram muitos transtornos aos motoristas. Por diversas vezes, trechos foram bloqueados e o trânsito precisou ser desviado por vias marginais.

Rede inacabada prejudica usuários

14/12/2015 - Correio Braziliense

"O projeto não solucionou a questão da fluidez no trânsito. A expectativa da quantidade de veículos que passariam pela via não foi bem dimensionada" - Sandra Patrícia Fernandez, engenheira civil e professora do UniCeub

Distante da proposta inicial de melhorar a vida de quem depende do transporte coletivo, o Expresso DF (BRT) desagrada tanto na prestação do serviço, quanto na infraestrutura. Enquanto alguns problemas são perceptíveis a olho nu, como mostrou o Correio ontem, outros são invisíveis ao usuário, mas têm consequências no cotidiano da população. Tratam-se de falhas na concepção e na execução do projeto, questionadas por especialistas. Dois relatórios do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) demonstram isso. O mais recente deles, analisa, entre outros pontos, se as especificações do contrato foram cumpridas.

O BRT, fruto de uma parceria entre os governos federal e distrital, custou mais de R$ 761 milhões aos cofres públicos. A análise do tribunal sugere mais de R$ 15 milhões de gastos indevidos. O estudo anterior, de 2009, tem como objeto a licitação, e é ainda mais alarmante. Nesse, a suspeita é de que o prejuízo ultrapasse a casa dos R$ 105 milhões, mas nenhum dos dois estudos foi concluído.

Pontos críticos

Amparada nas reclamações dos usuários e nos questionamentos técnicos, a reportagem do Correio levou uma engenheira civil até o local das obras. Desta vez, para analisar a infraestrutura e a fluidez do trânsito. Entre os pontos críticos levantados pela professora do Centro Universitário de Brasília (UniCeub), Sandra Patrícia Fernandez, está a falta de sinalização horizontal e vertical nos viadutos — único acesso de retorno aos motoristas. Além disso, a necessidade de mais equipamentos de proteção nessas elevações, como barreiras de contenção.

Na avaliação da especialista, é preciso fazer as demarcações corretas no pavimento, além de afixar placas que indiquem a velocidade do trecho ou instalar redutores de velocidade. No alto de um dos viadutos de retorno, há uma espécie de acesso para a contramão, que mais parece ter sido construído como um "puxadinho”. E, para piorar, a falta de pintura adequada no local dificulta a leitura por parte do motorista. "O usuário fica confuso: são duas faixas ou apenas uma? Pode passar reto ou não?”, questiona Sandra. No trecho a que ela se refere, o meio-fio está danificado e resta o para-choque de um veículo que se envolveu em um acidente.

Esses problemas culminam na complicação do trânsito na via. "Nesse caso, em vez de uma pista com fluxo regular — o esperado para a região —, o que se tem, atualmente, é um tráfego inaceitável. Podemos entender, portanto, que o projeto não solucionou a questão da fluidez no trânsito. A expectativa da quantidade de veículos que passariam pela via não foi bem dimensionada”, sugeriu.

Obra inacabada

Para explicar a origem do problema, o professor do departamento de engenharia civil e ambiental da Universidade de Brasília (UnB), Joaquim José de Aragão, ressalta a necessidade de um bom planejamento. "A estrutura é vistosa, mas sem organização da rede de transporte”, observa. "Eu diria que a rede continua confusa, fragmentada, irracional, com muitas duplicações de linhas. A engenharia de tráfego é outra miséria. Está abaixo de qualquer crítica”, exclama ele, que avalia a obra como inacabada.

O governo rebate a crítica com dados de um levantamento feito pelo DFTrans. O estudo mostrou que o passageiro do BRT economiza 15 minutos nas viagens pelo transporte expresso. O diretor-técnico do órgão, Marcio Antonio de Jesus, explica que a comparação foi feita com ônibus que fazem as mesmas rotas, mas não usam a pista exclusiva (leia Para saber mais).

A falta de informação nos terminais e estações é um consenso entre passageiros e especialistas. "Isso está bem claro na lei de mobilidade. É obrigatório ao Estado fornecer as orientações para que o usuário saiba como vai utilizar o transporte. Mas, até hoje, ninguém se mexeu quanto a isso. A Justiça tem que começar a agir. O sistema está ilegal”, denunciou Aragão. Segundo Marcio Antonio de Jesus, as estações do BRT contarão com monitores informando o itinerário aos passageiros, ação que não saiu do papel até agora.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

BRT DF funciona aos trancos e barrancos

26/11/2015 - Jornal de Brasília

Criado com a promessa de encurtar distâncias e de fazer com que os usuários passassem mais tempo com as famílias, o BRT funciona aos trancos e barrancos no DF. Depois de vários testes e problemas, o veículo leve sobre pneus foi posto em circulação sem a licença  obrigatória para operação. E assim permanece, segundo o Governo do DF, porque não há dinheiro em caixa para os trâmites legais. 


Em nota conjunta com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), o  Instituto Brasília Ambiental (Ibram) confirma que a licença de instalação expedida em 2011 para o BRT está vencida.   

Segundo o DER, a licença de operação foi solicitada ao Ibram  ainda durante a vigência da licença de testes, em 2014, mas nem todas as condicionantes foram cumpridas, pois faltou o Plano Básico Ambiental.

A licitação para elaboração deste documento já foi realizada pelo DER, diz o texto. “Porém, por indisponibilidade financeira, o contrato ainda não foi assinado”, confirma a nota encaminhada pela assessoria de imprensa do instituto.

Em janeiro deste ano, um aviso de requerimento de prorrogação de licença de instalação foi publicado no Diário Oficial do DF. O texto, datado do dia 22, é assinado pelo diretor-geral do órgão, Henrique Luduvice.  

Fiscalização

De acordo com o Ibram, o Serviço de Fiscalização do  órgão “ já está analisando o processo para fazer as autuações devidas”.  Nos bastidores, no entanto, a informação é de que não há servidores suficientes para fiscalizar e autuar.  

O DER informou que aguarda, agora, a disponibilidade de orçamento para assinar o contrato com a empresa vencedora  da licitação para  elaborar o Plano Básico Ambiental.

A licença de instalação, segundo o próprio Ibram, autoriza a instalação do empreendimento ou da atividade de acordo com as especificações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais condicionantes, exigências ou restrições apresentadas pelo Ibram. Esta licença, informa o instituto, “autoriza o início da obra ou do serviço no local do empreendimento, porém, não autoriza seu funcionamento”.

A Licença de Operação, por sua vez, é o documento que autoriza o funcionamento da atividade ou do empreendimento, após a verificação  das exigências. “Contém as medidas de controle ambiental e condicionantes determinadas para a operação”.

Ampliação

Depois de um dia de caos e de protesto de passageiros, o DFTrans anunciou o aumento de circulação de ônibus do BRT para a W3 Sul.  A partir de hoje, mais 16 veículos ampliarão o sistema.   

No Gama, a linha 2205/W3 Sul operará das 5h30 às 8h15 — com mais duas viagens —, e a 2303/W3 Sul, em Santa Maria, das 5h10 às 8h15 — aumentando para três a quantidade de viagens. 

As novas linhas com destino à W3 Sul começaram a operar no sábado. O novo percurso, divulga o governo,  diminui o tempo de viagem em 17 minutos, saindo de Santa Maria, e em 18 minutos, do Gama. 

Com os novos horários, a linha do Park Way (2207/Park Way/W3 Sul), que antes circulava das 8h às 15h45, passará a rodar das 8h30 às 15h45.

Por Milena Lopes
Informações: Jornal de Brasília