sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Tortura no ir e vir. Até quando?

06/02/2015 - Correio Braziliense

EDITORIAL

A mobilidade é um dos assuntos mais sensíveis aos brasilienses. Talvez mais que saúde e educação. A estrutura da capital explica a prioridade. Grandes distâncias e concentração dos serviços em setores especializados tornam a população refém do transporte individual ou coletivo. Não se deve ao acaso o dito de que aqui o homem se divide em cabeça, tronco e rodas.

Apesar da dependência, de diagnóstico correto e do conhecimento de soluções adequadas, o problema permanece. Vício inicial se perpetua nos 55 anos de vida da cidade. Construída na expansão da indústria automobilística, alimentou o sonho de que cada cidadão tivesse o próprio carro. A aspiração mereceria aplauso se representasse salto qualitativo fosse escolha, não imposição.

Não é, porém, o que ocorre. Sai governo, entra governo, as promessas de campanha não se concretizam. Belos projetos apresentados na campanha eleitoral se esquecem de sair do papel. Quando saem, não batem ponto final. Quando batem, fazem-no tão tardiamente que já não respondem à necessidade da população crescente. Desde que Brasília é Brasília, as queixas se repetem com indesejável monotonia.

Diariamente, os usuários do transporte público reclamam da falta de pontualidade, da lotação nos coletivos e das constantes greves da categoria. Também criticam as falhas nas tentativas de melhorias. A licitação para novos veículos e empresas não resolveu o problema dos equipamentos quebrados. A integração funciona de maneira precária, uma vez que os micro-ônibus usados na baldeação não comportam a quantidade de passageiros e não respeitam horários.

As faixas exclusivas e o início da operação do BRT não acabaram com as filas nos terminais nem os atrasos nas viagens. Os corredores na EPTG têm a baia para os passageiros localizada no lado oposto ao das portas e nunca foi feita concorrência para comprar ônibus com a entrada invertida. Por fim, os cidadãos convivem com as eternas promessas de ampliação do metrô, seja a compra de novos trens, seja a conclusão de novas estações. E vivem ao lado de falhas advindas de equipamentos metroviários antigos.

Não é outra a razão por que o brasiliense se tornou escravo do carro. A frota da capital tem 1,5 milhão de veículos. Entre eles, 1,130 milhão de carros e 177 mil motos. Pegar o volante no trânsito violento e congestionado da capital não constitui prêmio nem elevação de status. Ao contrário. É castigo imposto por governantes que não sabem ou não querem ler o seu tempo. No século 21, o luxo é dispor de transporte público pontual, moderno e interligado. Com a palavra, o governador Rodrigo Rollemberg.

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