sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Moradores de Planaltina perdem a paciência com caos do transporte público

24/11/2011 - Correio Braziliense

Os moradores da Estância Mestre D’Armas, em Planaltina, perderam a paciência com a falta de quantidade e de qualidade do transporte público oferecido na região e fecharam os dois sentidos da BR-020 por cinco horas na manhã de ontem. Cerca de 100 manifestantes usaram troncos de árvores, pneus, placas antigas e até vasos sanitários para impedir a passagem de veículos em cinco barricadas montadas na rodovia. O bloqueio causou mais de 5km de congestionamento e terminou após negociação com o diretor do Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans), Marco Antonio Campanella. O GDF prometeu deslocar ônibus de outras cidades para minimizar os transtornos.

O protesto teve início de maneira espontânea por volta das 6h30. Trabalhadores se irritaram com o segundo dia consecutivo de escassez de transporte para conduzi-los de Arapoanga e das cinco Estâncias ao Plano Piloto, onde a maioria trabalha. Os pontos de ônibus ficam às margens da BR-020, e a população afirma ser praticamente impossível entrar em um coletivo que saia da Rodoviária de Planaltina devido à superlotação. “Nenhum dos dois ônibus que deveria atender a gente apareceu. E os que vêm de Planaltina nem param. Quando param, quebram no meio do caminho. Como vamos trabalhar? Isso é uma falta de respeito”, desabafou a doméstica Ana Choma, 28 anos.

A explicação para os problemas veio horas depois, com a chegada de Campanella. Segundo ele, as empresas Veneza, Viva Brasília e Rápido Brasília, que operam linhas em Planaltina, perderam o prazo para se adequar às normas de segurança em cerca de 25 veículo e tiveram todos lacrados pela fiscalização na segunda-feira. Além disso, a área está há quase cinco meses sem os serviços da Coopatram, cooperativa que atendia à região de Planaltina.

Nas primeiras horas da revolta, não houve conflitos com os motoristas parados no trecho da rodovia. Muitos manifestaram apoio ao pleito popular. O professor Ricardo Neder, 54 anos, ia para o câmpus da Universidade de Brasília (UnB), em Planaltina, mas acabou retido. “Vejo o sacrifício das pessoas para pegar ônibus todos os dias. O desleixo com o planejamento de políticas de transporte público é escandaloso. A comunidade precisa se organizar e exigir da maneira certa as providências”, comentou.

Furaram o bloqueio só ambulâncias, carros de polícia e pessoas com problemas de saúde. Quando um carro particular passou, os ânimos se acirraram entre motociclistas e manifestantes. Houve bate-boca e os participantes do protesto atiraram toras de madeira. Ninguém ficou ferido. A PM, que estava próxima, não interveio.

Promessas

As duas primeiras barreiras só foram liberadas às 10h25, após Marco Campanella prometer o deslocamento de ônibus de outras cidades para suprir a demanda em Planaltina. Ele disse ainda que, até o fim do ano, outra empresa deve preencher o vazio deixado pela Coopatram. “Em último caso, faremos um contrato emergencial”, disse.

Os moradores concordaram em esperar até a próxima segunda-feira. A chegada do diretor do DFTrans foi acompanhada por quatro carros da PM, quatro da Rotam e dois do Corpo de Bombeiros. Das 11h às 12h10, os bombeiros apagaram as chamas e removeram os obstáculos na pista. A PM acompanhou a ação para impedir tumulto.

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